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Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock

 

FICHA

Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock
Título original:
Star Trek III – The Search for Spock - 1984, 105 minutos

Elenco:
Cap. James T. Kirk – William Shatner
Leonard McCoy – DeForest Kelley
Montgomery Scott – James Doohan
Pavel Chekov – Walter Koenig
Hikaru Sulu – George Takei
Lieutenant Uhura - Nichelle Nichols
Christopher Lloyd - Comandante Kruge
Robin Curtis - Saavik
Merritt Butrick - David

Direção: Leonard Nimoy

Roteiristas: Leonard Nimoy, Harve Bennett
Gênero: Ficção Científica

“Star Trek III – The Search for Spock”, ou “Jornada nas Estrela III – A Procura de Spock”, de 1984, é o terceiro longa metragem da franquia, dando continuidade e expandindo muito o universo explorado na lendária série dos anos 60, “Star Trek” (exibida originalmente pela NBC de 8 de setembro de 1966, até 3 de junho de 1969). O enredo desse filme dá continuidade à história da produção anterior (“Star Trek II: The Wrath of Khan”), tornando-se o filme do meio de uma trilogia, que só seria concluída dois anos mais tarde, em “Star Trek IV: The Voyage Home”. Nesse filme os tripulantes da “Enterprise” descobrem que, graças a um poderoso artefato chamado “Genesis”, Spock (Leonard Nimoy) que havia se sacrificado no filme anterior, fora ressuscitado. Sua mente foi "salva" na cabeça do Dr. Leonard McCoy (DeForest Kelley), mas seu corpo permanecia perdido num planeta distante, fazendo o Capitão Kirk (Willian Shatner) e sua equipe cruzarem longas distâncias no espaço e enfrentar muitos inimigos, afim de resgatá-lo.

A primeira coisa que nos chama a atenção nesse filme é que ele foi o primeiro a ser dirigido por Leonard Nimoy, que há quase duas décadas dava vida ao enigmático oficial de ciências e primeiro oficial da “USS Enterprise”, meio humano meio vulcano, Spock. Nimoy adota uma linguagem mais ousada neste filme, menos linear, por várias vezes surpreendendo o público e brinda o expectador com um aprofundamento bem mais significativo no universo “Jornada nas Estrelas”, fruto, obviamente do longo tempo e da grande intimidade do ator e diretor com a franquia. Oferece ao público o melhor dos efeitos visuais disponíveis na época, que ironicamente foram realizados pela “Industrial Light and Magic”, de George Lucas, criador da franquia “rival” (pelo menos de acordo com alguns fãs) de “Star Trek”, “Star Wars”. Outro fato inesperado foi a participação de Christopher Lloyd como Kruge, um comandante “klingon”, e isso se deu pela admiração que Leonard Nimoy tinha pelos trabalhos do ator.

O que não é tão comum ao grande público foi o fato de que "Jornada nas Estrelas – A Procura de Spock" foi um filme que quase não aconteceu. Leonard Nimoy planejara o fim definitivo de seu personagem em "Jornada nas Estrelas - A Ira de Khan", onde Spock encerraria a sua vida de maneira altruísta, porém sem abdicar de sua essência lógica. Para a surpresa de todos, durante a filmagem desta película,  o ator que dava vida ao nosso querido "meio humano, meio vulcano" mudou de ideia e julgou adequada uma sequência onde o público e os fãs poderiam ver o bom e velho Spock nas telonas novamente. 

Assumindo a direção desse projeto, Nimoy encontrava-se num complicado dilema: "como trazer Spock de volta à vida de um modo que não torne o enredo pobre, ou pior, patético?" A solução de inseri-lo na consciência do Dr. Leonard - como mencionado acima na sinopse - foi um duplo acerto. Em primeiro lugar, porque tal abordagem foi surpreendente ao público e inseriu-se harmonicamente no tom do universo da franquia e, em outro aspecto, permitiu aflorar um talento até então pouco explorado de DeForest, que quando se expressava "tomado" da consciência de Spock, demonstrou com mestria a sua versatilidade como ator. E esse mérito também é de Nimoy, pois como interpretava Spock há muitos anos, soube extrair uma atuação mais profunda, não apenas uma imitação canastrona de seu personagem. A cena que retrata a primeira vez que o Capitão Kirk se da conta de que o Dr. Leonard McCoy está "possuido" pela consciência do então falecido membro vulcano da Enterprise, trouxe à franquia um de seus momentos mais icônicos.

Outro desafio que Leonard Nimoy teve de solucionar foi o baixíssimo orçamento disponibilizado pelo estúdio para a produção. Esse um tanto mais complicado, posto que o roteiro trazia uma significativa expansão desse universo e, por consequência,  demandava mais despesas. Muito disso foi resolvido pelo trabalho da ILM,  no entanto, para o restante, foi necessária uma cuidadosa e criativa decupagem por parte do novo diretor. A resposta para a equação veio na utilização de mais efeitos práticos, sobretudo nas cenas que se passavam nos novos planetas. Como os recursos eram escassos, tais efeitos foram elaborados de modo que evocasse a estética da série clássica, o que contornou o baixo orçamento, além de agradar ao saudosismo dos fãs mais antigos.

Leonard Nimoy,  que só dirigira até então poucos episódios da série dos anos 60 de "Star Trek , demonstrou-se estar à altura do desafio. Seu envolvimento e paixão pelo universo incrível que ajudara a criar nas décadas anteriores, sem dúvida, foram fundamentais, não somente para entregar um filme digno da franquia, mas uma produção indispensável não somente aos fãs, mas a todos os apreciadores do bom cinema.


Rapha Mussato


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